25/02/2017

O esquerdismo e o complexo de culpa


O norueguês da notícia, que foi violado por um migrante somali, é membro do Partido de Esquerda Socialista, assumindo-se ainda como feminista e anti-racista.

CULPABILIDADE. Estado daquele que cometeu uma falta. A par da culpa real e objectiva que consiste na violação grave de uma regra, encontra-se em numerosos indivíduos um sentimento, mais ou menos claro, de falta subjectiva, que se exprime no comportamento ou suscita na pessoa uma angústia de perseguição, devida a um crime imaginário. Quando esse sentimento de culpa se torna intenso, poderá desencadear uma situação de neurose [doença mental] ou mesmo de psicose [doença mental com perda de noção do real]. Certos delirantes, auto-acusam-se de todos os males do mundo, vivem num estado de culpabilidade dolorosa e procuram punir-se a si próprios, mutilar-se, ou até mesmo matar-se. Segundo alguns psicólogos, na base de qualquer psicose existe uma culpabilidade irreal que o doente tenta desesperadamente anular, porque constitui uma terrível ameaça para a sua auto-estima.
Adaptado de «Dicionário de Psicologia Larousse».

Ora muitas das ideologias modernas, sobretudo da chamada Nova Esquerda, que preconizam, entre outras coisas, "a culpa da Europa e do Homem Branco", têm por base enfermidades mentais. Sendo que muitos destes enfermos oscilam entre comportamentos extremos, desde sentir-se culpado de tudo a desculpar tudo nos outros. Mas o que é mais preocupante, é que se deixou de tratar estes casos como patológicos e se passou a aceitá-los como meras opiniões políticas. Um caso bem conhecido é o do psicanalista Wilhelm Reich, que chegou a estar internado num manicómio, mas cujo papel de ideólogo freudo-marxista está na origem da chamada Revolução Sexual.

22/02/2017

A desigualdade natural é um bem


A desigualdade é raiz de mal social? Pelo contrário, a Igreja sempre ensinou que a desigualdade natural é um bem e fonte de justiça. O Magistério da Igreja condena as doutrinas igualitárias e socializantes. Eis um exemplo:
Deve-se advertir que erram de modo vergonhoso aqueles que opinam levianamente serem iguais, na sociedade civil, os direitos de todos os cidadãos, e não existir uma hierarquia social legítima. 
Papa Pio XI in encíclica «Divini Redemptoris», 1937.

17/02/2017

Salazar devia ter restaurado a Monarquia?

Enquanto visitava um grupo pseudo-tradicionalista no facebook, deparei-me com a seguinte imagem:


Este tipo de crítica a Salazar é muito típica de monárquicos liberais, amantes de um monarquismo meramente de fachada. No entanto, a resposta à crítica já foi dada em 1949:

Consequentemente, a Realeza a restaurar não é a Realeza liberal, constitucional, democrática, parlamentar, que aí tivemos a abrir a catástrofe de 1910 – mas a outra, a Realeza que vem de 1128 a 1820, a quem se deve a formação, a consolidação, o prestígio de Portugal; a quem se devem os fundamentos sobre que repousa a Nacionalidade; a quem se devem as fronteiras portuguesas, no continente europeu e no Ultramar. A Realeza postiça de 1834 a 1910, devemos a República, que foi a consequência lógica das lutas partidárias que a Realeza de então não podia evitar, porque ela própria saíra duma luta partidária vitoriosa; que ela não podia condenar, porque era da sua essência reconhecê-las; que ela não podia dominar, porque fôra ela quem as desencadeara. Já não sei se há monárquicos em Portugal capazes de um movimento transcendente, como este que preconizo – tão afastado vivo de todos e de tudo – desde o Rei até à mais rudimentar organização da chamada Causa Monárquica. Fiel aos princípios, cada vez mais integrado neles, vivo distante dos homens que têm a fama de os representar, por incompreensão mútua: nem eles me entendem, nem eu os entendo a eles. A hora é dos videirinhos e dos trafulhas, e eu limito-me a assistir, de longe, como de longe das roletas do Estoril ou das celas do Limoeiro, à acção e ao triunfo admirável de uns e de outros. Eu sou o irrequieto, porque não me conformo com que se ponham no mesmo plano, homens honestos e homens desonrados, aventureiros e homens sérios; eu sou o conflituoso, porque digo que um gato é um gato, e um coelho é um coelho; eu sou réprobo, porque me caracterizam estas duas qualidades, que pelos vistos são defeitos, e se traduzem pela expressão adoptada por um alto espírito português: a independência dos meus juízos, e a firmeza das minhas convicções. Por tudo isto, vivo distante, em isolamento que progride, porque não dou um passo, nem esboço um gesto para conter ou limitar. E assim não sei se há monárquicos em Portugal capazes de dar à doutrina monárquica a forma que ela requer, e a força que ela solicita, para poder emergir dos escombros em que a Vitória das Democracias a sepultou. Monárquicos, é claro, que não tragam à frente, como o judeu das tâmaras, o balcão dos negócios; monárquicos que não sejam comerciantes e traficantes, e não façam da doutrina monárquica moeda de compra e venda.
Se os há, bom seria que alguém os juntasse, e os animasse à obra que tudo indica como indispensável.
Se os não há... Nem por isso me demitirei de dizer o que é necessário realizar.

Alfredo Pimenta in «Três Verdades Vencidas: Deus-Pátria-Rei», 1949.

16/02/2017

A Ética Global e a Nova Ordem Mundial


No Parlamento das Religiões do Mundo, em 1993, Hans Küng, a quem a Santa Sé proibiu o ensino de teologia católica, apresentou o projecto da Ética Planetária com o prévio aval da UNESCO, do Fórum Económico Mundial de Davos e do World Wide Fund for Nature (WWF). A primeira edição da nova ética de Küng foi prefaciada pelo Príncipe Philip de Edimburgo [marido de Isabel II], na época presidente da WWF. Hans Küng tornou-se assim uma das cabeças visíveis do processo para impor esta nova ética cósmica, enunciada no estilo da maçonaria, composta de uma mistura de gnose, expressões de bons desejos e da vaga e alienante espiritualidade new age. A Ética Planetária é uma boa resposta ao projecto da UNESCO de ética universal de valores relativos. O próprio Küng a define como "uma síntese de superação de todas as religiões do mundo".
O projecto de Küng foi aprovado pelo Parlamento das Religiões como "um consenso mínimo sobre os valores fundamentais de carácter vinculante, de normas irrevogáveis e de atitudes morais fundamentais".
O conteúdo da Ética Planetária está cheio de ambiguidades, e nele se acentuam palavras que os próprios autores se encarregaram de esvaziar de conteúdo, de modo que cada indivíduo possa interpretá-las à sua maneira, segundo a sua tradição cultural ou de acordo com os seus interesses. É um legado contra o "fanatismo e a intolerância, em favor da tolerância universal", que não se realiza em nenhum princípio, porque, de acordo com o próprio Küng, os princípios devem ser elaborados num consenso posterior, pouco ou nada tendo de padrão irrevogável.
Tal como a Carta da Terra, este projecto ignora a existência de Deus e, naturalmente, a Sua transcendência em relação à Criação. Nem mesmo a existência da alma humana como uma entidade separada, fica clara. Como resultado, exclui a existência da verdade absoluta, impondo à humanidade um processo sem fim de procura de consensos sobre princípios morais, que permanecerão até que aqueles perdurem para, em seguida, em virtude de novos consensos, serem mudados, substituídos. Como é facilmente dedutível, neste processo sem fim está incluído o consenso sobre a vida e a morte, relativizando o valor e o respeito pela vida humana desde a concepção até à morte natural.
As atitudes morais fundamentais são reduzidas a palavras sem significado claro: paz, justiça, equidade, dignidade, compaixão, tolerância, solidariedade, diálogo, respeito à pluralidade e outras, as quais são ambíguas em si mesmas, como o termo "crentes", que abrange todos os seres humanos que acreditam em algo ou alguém, o que, na linguagem da ética global, equivaleria a uma espécie de sincretismo universal.
No primeiro capítulo, Küng diz: "Estes princípios são baseados na suposição de que a Nova Ordem Mundial não pode sobreviver sem uma ética global". Ou seja, sem alguns princípios éticos novos a serviço do projecto político de dominação. É a "religião" ao serviço do poder. Os elogios do presidente do Directório do Fundo Monetário Internacional, em relação a Küng, o confirmam.
Aparentemente, a Ética Planetária encontra um público favorável no mundo das finanças internacionais e a Carta da Terra no campo internacional socialista. Mas esta é apenas uma impressão, pois os nomes de Hans Küng e Leonardo Boff, e outros, aparecem nas mesmas redes e nos mesmos fóruns. Na verdade, ambos os projectos têm as mesmas intenções: a subversão da ordem natural e a destruição das raízes cristãs da cultura através do relativismo moral e do igualitarismo religioso. É o homem que constrói o seu código ético em guerra aberta contra Deus – o antigo projecto das lojas maçónicas.
A Carta da Terra e a Ética Planetária não são projectos que concorrem entre si; são, na verdade, alternativos ou complementares. Têm o mesmo objectivo: a demolição da Igreja Católica e a construção de outra igreja, uma caricatura ao serviço da Nova Ordem Mundial.

Pe. Juan Claudio Sanahuja in «Poder Global e Religião Universal», 2010.

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10/02/2017

O pior inimigo é o interno


Uma nação pode sobreviver aos seus loucos, mesmo aos ambiciosos. Mas não consegue sobreviver à traição vinda de dentro. Um inimigo às portas é menos formidável, pois ele é conhecido e transporta a sua bandeira à vista. Mas o traidor movimenta-se livremente entre aqueles que estão dentro de portas, o seu murmúrio malicioso percorre todas as ruelas e é ouvido nos corredores do governo, ele próprio. Pois o traidor não aparenta ser traidor; ele fala de um modo familiar às suas vítimas, e desgasta a sua face e os seus argumentos; ele apela à vileza que mora fundo no coração de todos os homens. Ele apodrece a alma de uma nação; ele trabalha secretamente e oculto na noite, a fim de minar os pilares da cidade, ele infecta o corpo político a fim de que este não mais possa resistir. Um assassino é menos de temer.


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Relembro ainda: A decadência interna.

09/02/2017

Afinal, eles coincidem!


Em 1830, José Liberato Freire de Carvalho publicou o livro "Ensaio histórico-político sobre a Constituição e Governo do Reino de Portugal; onde se mostra ser aquele Reino, desde a sua origem, uma monarquia representativa, e que o absolutismo, a superstição, e a influência da Inglaterra, são as causas da sua actual decadência". É estranho que neste título coincida aquela opinião de alguns tradicionalistas espanhóis (e alguns portugueses enganados) a respeito de Portugal. Que estranha coincidência! Mas quem é este autor? Este "santo" foi um frade de Santa Cruz de Coimbra, depois jornalista, depois político, depois deputado e maçon! Era da causa liberal.

02/02/2017

Marxismo Cultural


Antonio Gramsci estabeleceu um modelo revolucionário segundo o qual a hegemonia cultural é a base da revolução comunista, significando com isso que esta depende da capacidade que as forças revolucionárias adquiram para controlar os meios que permitem dirigir a consciência e a conduta social. Uma revolução assim entendida consiste em modificar de maneira imperceptível o modo de pensar e sentir das pessoas para, por extensão, terminar por modificar decisiva e totalmente o sistema social e político.

A estratégia gramsciana estava desenhada do seguinte modo:

1. Para impor uma transformação ideológica era necessário começar por lograr a modificação do modo de pensar da sociedade civil através de pequenas transformações realizadas ao tempo no campo da cultura. Havia que construir um novo pensamento, entendido como o modo comum de pensar que historicamente prevalece entre os membros da sociedade. Para Gramsci isto era mais importante e prioritário do que alcançar o domínio da sociedade política (conjunto de organismos que exercem o poder desde os campos jurídico, político e militar).

2. Para lograr este objectivo era necessário apoderar-se dos organismos e instituições donde se difundem os valores e parâmetros culturais: meios de comunicação, universidades, escolas... Depois de cumprido este processo a conquista do poder político cairia pelo seu próprio peso, sem revoluções armadas, sem resistências nem contra-revoluções, sem necessidade de impor a nova ordem pela força, já que esta teria consenso geral.
Um modelo histórico de actuação de acordo com estes princípios seria a mentalidade iluminista que preparou o terreno para o que logo seria a Revolução Francesa e o liberalismo, estendido por toda a Europa e América graças à mudança de pensamento hegemónico promovido desde o século anterior.

3. Para ter êxito havia que superar dois obstáculos: a Igreja Católica e a Família.

A estratégia determinada por Gramsci foi projectada pela chamada Escola de Frankfurt, originalmente fundada em 1923 como Instituto para o Novo Marxismo e rapidamente denominado Instituto para a Investigação Social, para encobrir o seu objectivo sentido político.

Através de autores como Georg Lukács, Max Horkheimer, Theodor Adorno, Wilhelm Reich, Erich Fromm, Jean-Paul Sartre, Herbert Marcuse, Jürgen Habermas, etc., formula-se a doutrina do neo-marxismo e a partir dele a esquerda elabora um programa concreto de acção estruturalista que logra uma decisiva influência em distintos campos do pensamento, na psicologia (Lacan), na educação (Piaget) e na etnologia (Lévi-Strauss), entre outros.

Foram basicamente estas elaborações ideológicas que activaram e sustentaram o processo revolucionário dos anos 60 do século XX, sendo particularmente eficientes entre os estudantes das universidades de França e Alemanha. Ainda assim, estas ideias também seriam a base tanto do chamado euro-comunismo como do neo-socialismo desenvolvido em distintas latitudes durante os anos 80 e 90.

Estas raízes norte-americanas da actual esquerda europeia foram expostas detalhadamente por Paul Edward Gottfried (The Strange Death of Marxism) e é uma das circunstâncias que explicam a escassa repercussão que teve a queda da União soviética nos comunistas e nos socialistas: ideologicamente estavam mais vinculados aos EUA do que à URSS e, provavelmente, um regime "duro" que se apresentava como paradigma da ortodoxia comunista resultava para eles mais como um obstáculo do que uma referência.

O princípio constitutivo desta crença radica num materialismo que nega a existência de um princípio anterior e superior ao homem. Nega-se explicitamente a existência de um Deus criador, a existência da alma humana e, portanto, de toda a essência e toda a transcendência do ser. Impõe-se um sistema teórico multiculturalista baseado no relativismo absoluto, o qual implica a negação da existência de verdades de validade universal.

Assumindo tais premissas, como se manifesta concretamente este novo tipo de acção revolucionária?

A aplicação deste sistema procura gerar um ânimo hostil contra todo o tipo de autoridade, contra toda a forma de hierarquia e ordem, seja no terreno religioso ou no civil. A autoridade degrada-se sistematicamente na Igreja, no Estado, na família ou no ensino. Esta quebra da ordem natural conduz a uma completa perda de princípios e uma radical decadência moral. Desencadeiam-se as paixões nas crianças e adolescentes através de uma educação estatal ou dos meios de comunicação que criam um ambiente de impureza omnipresente. A fim de romper a estrutura do sistema social, introduz-se um igualitarismo radical projectado na ideologia de género que proclama a superação do actual modelo de sociedade mediante a transformação da diferenciação sexual em meras categorias culturais e, por conseguinte, opcionais e elegíveis.

Uma vez destruído o universo de valores até então vigentes, o seu lugar foi ocupado por uma nova hegemonia: a dessa mentalidade, hoje dominante, substrato permanente de uma prática política que é, ao mesmo tempo, a consequência e o principal motor do processo.

Ao serviço desta estratégia colocam-se meios tão díspares como a democracia, a demolição do Estado nacional, a imigração, a infiltração e auto-demolição da Igreja, a memória histórica, a educação para a cidadania ou a cultura da dependência promovida por uma gestão económica dos recursos dirigida pelo Estado.

Há alternativa? Sim, existe, mas só será possível na medida em que tenha lugar a recuperação da hegemonia na sociedade civil. Algo que implica a luta pela Verdade, que não se impõe por si mesma, e a capacidade de gerar instrumentos coercivos que, ao abrigo da lei, actuem como travão das tendências desagregadoras.

Pe. Ángel David Martín Rubio in revista «Altar Mayor», Janeiro de 2008.

28/01/2017

Oração de Fátima: o testemunho da Irmã Lúcia


Na continuação do tema Oração de Fátima, transcrevo um excerto de uma carta da Irmã Lúcia de 31 de Agosto de 1941, e que mais uma vez comprova que a versão original é a que se refere às almas que estão em perigo de condenação e não às almas do Purgatório:

Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Bispo: disse já a V. Ex.cia Rev.ma, em os apontamentos que enviei depois de ler o livro «Jacinta», que ela se impressionava muito com algumas coisas reveladas no segredo. Realmente, assim era. A vista do Inferno tinha-a horrorizado a tal ponto, que todas as penitências e mortificações lhe pareciam nada, para conseguir livrar de lá algumas almas.
Bem; agora respondo já ao segundo ponto de interrogação que, de várias partes, aqui me tem chegado. Como é que a Jacinta, tão pequenina, se deixou possuir e compreendeu um tal espírito de mortificação e penitência?
Parece-me que foi: primeiro, por uma graça especial que Deus, por meio do Imaculado Coração de Maria, lhe quis conceder; segundo, olhando para o Inferno e desgraça das almas que aí caem.
Algumas pessoas, mesmo piedosas, não querem falar às crianças do Inferno, para não as assustar; mas Deus não hesitou em mostrá-lo a três, e uma de 6 anos apenas, e que Ele sabia se havia de horrorizar a ponto de, quase me atrevia a dizer, de susto se definhar.
Com frequência se sentava no chão ou em alguma pedra e, pensativa, começava a dizer:
O Inferno! o Inferno! que pena eu tenho das almas que vão para o Inferno! E as pessoas lá vivas a arder como a lenha no fogo!
E meio trémula ajoelhava, de mãos postas, a rezar a oração que Nossa Senhora nos tinha ensinado:
Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.
Agora, Ex.mo e Rev.mo Senhor Bispo, já V. Ex.cia Rev.ma compreenderá por que a mim me ficou a impressão de que as últimas palavras desta oração se referiam às almas que se encontram em maior perigo ou mais iminente de condenação.

Irmã Lúcia in «Memórias da Irmã Lúcia».

23/01/2017

O nosso atraso é de ouro

Dom Miguel, o tradicionalista.

À conversa com um tradicionalista hispânico, dizia-me ele, em tom crítico, que Portugal é um país muito atrasado. Eu concordei. De facto, de certo modo, Portugal é um país atrasado, atrasadíssimo! Já os iluministas e liberais diziam o mesmo, que Portugal era um "relógio atrasado", pouco permeável às "ideias avançadas" da "Europa", ou melhor, deles! Mas eu digo: graças a Deus que desde que as ideias "iluminadas" começaram a vingar no mundo, sempre fomos mais "atrasados" que outros. Pois enquanto na Europa já se vivia o caos revolucionário das "ideias avançadas", Portugal ainda se conservava bastante fiel, os fidelíssimos... E hoje em dia... somos "atrasados". Muito daquilo que aparece de "novo" em Portugal, já é "velho" nos outros lados, incluindo em Espanha. E nem é preciso falar das aberrações modernas, como o casamento gay, o aborto, ou o facto de o governo espanhol pretender incluir as festas muçulmanas no calendário civil. É suficiente lembrar que Portugal foi o último reino tradicional católico a cair, em 1834, e que Dom Miguel foi considerado pelo Papa Gregório XVI como o rei mais católico de toda a Cristandade. Assim como também o Grande Oriente Lusitano só foi fundado 75 anos depois da abertura da primeira loja maçónica em Madrid. Que atraso... 75 anos!
Portanto, cada vez que algum estrangeiro vier dizer que Portugal é "muito atrasado", devemos responder-lhe: "graças a Deus".

20/01/2017

Quem te manda a ti, sapateiro...


Sapateiro, dizia Apeles, não te adiantes além dos sapatos. Louca presunção, da qual nem os maiores nomes vão isentos! "Eu sou grande Físico, grande Geómetra, grande Político, grande Orador, grande Poeta; logo como sou isto, também sou grande Teólogo". E porque não dizem também grande músico, e grande pintor, e para concluir ainda melhor, grande ridículo? Com efeito, este grande Teólogo me dirá, o que já me disseram os Pedreiros, que as controvérsias entre Cirilo e Nestório, entre Atanásio e Ário, eram controvérsias, ou questões de puro nome. Invenção aguda, e nova! Logo, é uma questão de nome, ou uma inépcia, deixar, ou tirar a ambiguidade, debaixo de cujos véus se esconde o erro!

Pe. José Agostinho de Macedo in «Refutação dos Princípios Metafísicos, e Morais dos Pedreiros Livres Iluminados», 1816.

14/01/2017

Despotismo económico e financeiro


Dizem que o mundo melhorou, mas afinal endividou-se...

É coisa manifesta, como nos nossos tempos não só se amontoam riquezas, mas acumula-se um poder imenso e um verdadeiro despotismo económico nas mãos de poucos, que as mais das vezes não são senhores, mas simples depositários e administradores de capitais alheios, com que negoceiam a seu desejo. Este despotismo torna-se intolerável naqueles que, tendo nas suas mãos o dinheiro, são também senhores absolutos do crédito e por isso dispõem do sangue de que vive toda a economia, e manipulam de tal maneira a alma da mesma, que nem se pode respirar sem a sua licença. Este acumular de poderio e recursos, nota característica da economia actual, é consequência lógica da concorrência desenfreada, à qual só podem sobreviver os mais fortes, isto é, ordinariamente os mais violentos competidores e que menos sofrem de escrúpulos de consciência.

Papa Pio XI in «Quadragesimo Anno», 1931.

13/01/2017

Do Liberalismo à Apostasia - 30 anos


PREFÁCIO

A ideia de escrever este livro surgiu com algumas conferências sobre o liberalismo, feitas para seminaristas de Écône. Estas conferências tinham por finalidade esclarecer a inteligência desses futuros sacerdotes sobre o erro mais grave e mais nocivo dos tempos modernos e permitir-lhes fazer um juízo, de acordo com a verdade e a fé, sobre todas as consequências e manifestações do liberalismo e do catolicismo liberal.
Os católicos liberais introduzem os erros liberais no interior da Igreja e nas sociedades ainda católicas. É muito instrutivo reler as declarações dos Papas a este respeito e comprovar o vigor das condenações.
É de grande utilidade relembrar a aprovação de Pio IX a Louis Veuillot, autor do admirável livro "A Ilusão Liberal", e a do Santo Ofício a Dom Félix Sardá y Salvany para "O Liberalismo é Pecado".
Que teriam pensado estes autores se tivessem comprovado, como nós actualmente, que o liberalismo é rei e senhor no Vaticano e nos episcopados?
Destes factos surge a urgente necessidade, para os futuros sacerdotes de conhecer este erro. Pois o católico liberal tem uma falsa concepção do acto de fé, como bem o mostra Dom Sardá (capítulo VII). A fé não é mais uma dependência objectiva da autoridade de Deus, mas um sentimento subjectivo, que em consequência, respeita todos os erros e especialmente os religiosos. Louis Veuillot no seu capítulo XXIII mostra que o princípio fundamental da Revolução Francesa de 1789 é a independência religiosa, a secularização da sociedade, e em definitivo a liberdade religiosa.
O Padre Tissier de Mallerais, secretário-geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, encorajado pelo superior-geral, teve a ideia de completar e organizar este conjunto de conferências e publicá-las, para que elas possam ser úteis a outros além dos seminaristas.
Enquanto este trabalho estava em andamento, acontecia em Assis a mais abominável manifestação do catolicismo liberal, prova visível de que o Papa e aqueles que a aprovam, têm uma falsa noção da fé, noção modernista que vai balançar todo o edifício da Igreja. O próprio Papa o anuncia na sua alocução de 22 de Dezembro de 1986, aos membros da Cúria.
Com o fim de guardar e proteger a fé católica desta peste do liberalismo, parece-me que este livro chega muito oportunamente, fazendo-se eco das palavras de Nosso Senhor: "Aquele que crê será salvo, aquele que não crê condenar-se-á"; é esta a fé que o Verbo de Deus encarnado exige de todos aqueles que querem ser salvos. Ela foi causa de Sua morte e, seguindo o Seu caminho, de todos os mártires e testemunhas que a professaram. Com o liberalismo religioso, não há mais mártires nem missionários, mas somente destruidores da religião reunidos em volta da promessa de uma paz puramente de palavras.
Longe de nós este liberalismo, sepultura da Igreja Católica. Seguindo Nosso Senhor, levemos o estandarte da Cruz, único sinal e única fonte de salvação.
Que Nossa Senhora de Fátima, no 70º aniversário da Sua aparição, queira abençoar a difusão deste livro que faz eco às Suas predições.

Écône, 13 de Janeiro de 1987
Festa do Baptismo de Nosso Senhor
+ MARCEL LEFEBVRE

10/01/2017

O anão e o gigante

No dia em que foi a enterrar com honras de Estado um vil e reles traidor, combatente "anti-fascista", inimigo de Deus, da Pátria e do Rei, ponhamos os olhos na campa rasa e simples de António de Oliveira Salazar. Eis um homem modesto, do povo autêntico da Beira, que nunca desonrou os seus antepassados lusos, e nunca quis parecer mais do aquilo que era.


Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia, não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente.
Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. Sou, tanto quanto se pode ser, um homem livre.
Jamais empreguei o insulto ou a agressão de modo que homens dignos se considerassem impossibilitados de colaborar. No exame dos tristes períodos que nos antecederam esforcei-me sempre por demonstrar como de pouco valiam as qualidades dos homens contra a força implacável dos erros que se viam obrigados a servir. E não é minha a culpa se, passados vinte anos de uma experiência luminosa, eles próprios continuam a apresentar-se como inteiramente responsáveis do anterior descalabro, visto teimarem em proclamar a bondade dos princípios e a sua correcta aplicação à Nação Portuguesa. Fui humano.
Penso ter ganho, graças a um trabalho sério, os meus graus académicos e o direito a desempenhar as minhas funções universitárias. Obrigado a perder o contacto com as ciências que cultivava, mas não com os métodos de trabalho, posso dizer que as reencontrei sob o ângulo da sua aplicação prática; e, folheando menos os livros, esforcei-me em anos de estudo, de meditação, de acção intensa, por compreender melhor os homens e a vida. Pude esclarecer-me.
Não tenho ambições. Não desejo subir mais alto e entendo que no momento oportuno deve outrem vir ocupar o meu lugar, para oferecer ao serviço da Nação maior capacidade de trabalho, rasgar novos horizontes e experimentar novas ideias ou métodos. Não posso envaidecer-me, pois que não realizei tudo o que desejava; mas realizei o suficiente para não se poder dizer que falhei na minha missão. Não sinto por isso a amargura dos que merecida ou imerecidamente não viram coroados os seus esforços e maldizem dos homens e da sorte. Nem sequer me lembro de ter recebido ofensas que em desagravo me induzam a ser menos justo ou imparcial. Pelo contrário: neste país, onde tão ligeiramente se apreciam e depreciam os homens públicos, gozo do raro privilégio do respeito geral. Pude servir.
Conheci Chefes de Estado e Príncipes e Reis e ouvi discretear homens eminentes de muitas nações, ideologias e feições diversas sobre as preocupações de governo, os problemas do Mundo ou as dificuldades dos negócios. Pude comparar.
E assim, sem ambições, sem ódios, sem parcialidades, na pura serenidade do espírito que procura a verdade e da consciência que busca o caminho da justiça, eu entendo que posso trazer ao debate um depoimento.

António de Oliveira Salazar in «Discursos e Notas Políticas».

04/01/2017

Verdadeiro e Falso Tradicionalismo


Grande número de modernos, seguindo as pegadas daqueles que, no século passado, se deram o nome de filósofos ["seita dos filósofos" = maçonaria], declaram que todo o poder vem do povo; que em consequência aqueles que exercem o poder na sociedade não a exercem como sua própria autoridade, mas como uma autoridade a eles delegada pelo povo e sob a condição de poder ser revogada pela vontade do povo, de quem eles a têm. Inteiramente contrário é o pensamento dos católicos, que fazem derivar de Deus o direito de mandar, como de seu princípio natural e necessário.

Papa Leão XIII in «Diuturnum Illud», 1881.

§

Esta citação de Leão XIII não é uma opinião. Ela representa aquilo que é, sempre foi, e sempre será o pensamento tradicional católico, é Magistério Ordinário da Igreja. Contudo, em dado grupo recente auto-intitulado "tradicionalista" estão a ser difundidas ideias contra-tradicionalistas... Nem todos os seus membros pensam assim, mas alguns deles, mais bem colocados no grupo, tinham sido já confrontados com a correcção a este e outros erros. Porém a "democratice" volta sempre à tona. Eles avançam e teimam... Tal como já referi noutra ocasião: parece até haver nisto uma mão escura, que promove a criação de "meios-termos", infunde-os de activismo e visibilidade, e assim intercepta e capta aquelas almas que se iriam dirigir a um tradicionalismo autêntico.

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