21/11/2017

A Termodinâmica contraria o Marxismo


Em primeiro lugar há uma matéria macrofísica, que vai desde o objecto conhecido às estrelas e galáxias. Está formada por sistemas de moléculas, de átomos, de partículas, e é governada pelo princípio da degradação de energia (em virtude da segunda lei da Termodinâmica). Num sistema fechado, a energia degrada-se, ou seja, passa de formas mais complexas de organização para outras menos complexas e menos estruturadas. Aqui encontra o materialismo dialéctico a sua sentença de morte, já que a matéria que ele perspectiva não é passível de evolução, ou seja, de passar a níveis superiores de organização e heterogeneidade. O que sucede é precisamente o contrário e por isso mesmo, no seu tempo, Marx e Engels se recusaram, com inteira lógica, a aceitar como verdadeira a segunda lei da Termodinâmica.

António Marques Bessa in «Ensaio sobre o fim da nossa Idade», 1978.


Nota: O autor não refere, mas assumindo que as leis físicas da Termodinâmica são verdadeiras – e eu creio que são – então, não apenas o Marxismo, mas também a Teoria Evolucionista é uma impossibilidade física e natural.

18/11/2017

A verdade é a regra e o fim último de todas as coisas


Não se vê com clareza que, assim como é um crime perturbar a paz quando reina a verdade, também o é permanecer em paz quando se destrói a verdade? Há, pois, um tempo no qual a paz é justa e outro no qual é injusta. Está escrito que "há tempo de paz e tempo de guerra": é o interesse da verdade que os diferencia. Mas não há tempo de verdade e tempo de erro; está escrito, ao contrário, que "a verdade de Deus permanece eternamente". Por isso Jesus Cristo, que disse ter vindo trazer a paz, também disse que veio trazer a guerra; mas não disse que veio trazer a verdade e a mentira. A verdade é, portanto, a primeira regra e o fim último de todas as coisas.

Blaise Pascal in «Pensées», 1670.

13/11/2017

Decreto contra o Comunismo


Foi perguntado à Suprema Sagrada Congregação:

1. Se é permitido aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de alguma maneira? 
2. Se é lícito publicar, divulgar ou ler livros, revistas, jornais ou tratados que sustentam a doutrina e a acção dos comunistas, ou escrever neles? 
3. Se fiéis cristãos que consciente e livremente fizeram o que está em 1 e 2, podem ser admitidos aos sacramentos? 
4. Se fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e sobretudo os que defendem ou propagam, incorrem pelo próprio facto, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica?

Os Eminentíssimos e Reverendíssimos Padres, responsáveis pela protecção da Fé e da Moral, tiveram o voto dos Consultores, na reunião plenária de 28 de Junho de 1949, e responderam decretando:

Quanto a 1.: Não, o comunismo é de facto materialista e anticristão, embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de facto, quer pela doutrina, quer pelas acções, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo.
Quanto a 2.: Não, pois são proibidos pelo próprio direito (cf. CIC, cânone 1399).
Quanto a 3.: Não, segundo os princípios ordinários determinando a recusa dos sacramentos àquele que não tem a disposição requerida.
Quanto a 4.: Sim.

No dia 30 do mesmo mês e ano, o Papa Pio XII, na audiência habitual ao assessor do Santo Ofício, aprovou a decisão dos Padres e ordenou a sua promulgação no comentário oficial da Acta Apostolicae Sedis.

De Roma, dia 1 de Julho de 1949.

08/11/2017

O Santo Condestável e Fátima


Do afecto, da exímia piedade, diz o decreto da Confirmação de seu culto, com que amava a Santíssima Virgem, são esplêndidos documentos e provas a imagem da mesma Beatíssima Virgem que auspiciosamente trazia pintada nos estandartes militares; seis templos, dos sete por ele erguidos, consagrados à Mãe de Deus, as missas que perpetuamente se deviam celebrar nos altares-mores desses templos, e os jejuns rigorosos por Nuno fielmente observados nos sábados do ano e nas vigílias das festas de Maria, ainda quando destinados a combate. Tal é, meus amados Diocesanos, o grande herói nacional e o grande santo cujo culto solene vamos inaugurar na nossa querida diocese. Leiria não pode ficar indiferente a este santo movimento, tanto mais que fazem parte da nossa diocese Aljubarrota e Ourém – Aljubarrota, o seu principal feito militar, e Ourém, o seu domínio preferido.

D. José, Bispo de Leiria, in «Pastoral sobre o culto do Beato Nuno de Santa Maria na Diocese de Leiria», 8 de Setembro de 1924.


A razão de Nossa Senhora aparecer em Fátima, foi por ser terra do Santo Condestável.
A minha mãe costumava contar que a caminho da Batalha de Aljubarrota, quando D. Nuno e os seus homens chegaram mais ou menos onde está agora a Cruz Alta do Santuário, os cavalos do exército, como que por milagre, ajoelharam-se por terra e D. Nuno terá dito que, ali, um dia algo de importante irá acontecer. De facto, foi nesse local que Nossa Senhora apareceu. Foi por causa da devoção que D. Nuno teve por Nossa Senhora, que ela apareceu na Cova da Iria.

Irmã Lúcia, 1998.

06/11/2017

Beato Nuno de Santa Maria


"Quanto é o que dizeis: Que os castelhanos são muitos e vem grandes capitães e senhores com eles, tanto vos será maior honra e louvor de serem por vós vencidos. Cá já muitas vezes aconteceu os poucos vencerem os muitos, porque todo o vencimento é em Deus e não nos homens."

"Não tenhais medo por serem muitos, nem pelas ameaças que fazem com os seus gestos e alaridos, pois tudo não passa de um pouco de vento, que dentro em breves momentos terminará. Deveis ser fortes e esforçados, recebendo a grande ajuda de Deus, por cujo serviço ali estavam, defendendo a justa causa do Reino de Portugal."

§

Valoroso Santo Condestável do Reino de Portugal, defendei de novo a nossa Pátria de todos os inimigos internos e externos!

Beato Nuno de Santa Maria, protegei a nossa Pátria!
Beato Nuno de Santa Maria, salvai a nossa Pátria!
Beato Nuno de Santa Maria, santificai a nossa Pátria!

03/11/2017

Espanha está obrigada a devolver Olivença


As palavras que se seguem são de um liberal, contudo valem pela sua verdade histórica:

Não posso dispensar-me de acrescentar ainda uma observação, e vem a ser que quem exige o cumprimento das obrigações contraídas por outrem deve também pela sua parte ser muito exacto em executar o que prometeu; e se o Governo de Espanha for justo, conhecerá que quando ele nos faz tais exigências, não é tão escrupuloso em executar as suas obrigações contraídas para connosco!... Eu creio que presentemente não se acham ainda pagas as despesas que fez a Divisão Portuguesa Auxiliar que esteve em Espanha; sendo para notar a falta desse pagamento, estipulado solenemente numa Convenção, e conseguintemente, se a tal respeito se pode e deve fazer comparação, ela é toda a nosso favor. Não desejo entrar agora na discussão de outro assunto; porém não posso deixar de o tocar, ainda que de passagem seja. Os Espanhóis assinaram um tratado pelo qual reconhecem os direitos que Portugal tem a Olivença; e não sei qual a razão por que eles se supõem isentos de prestar ouvidos a uma tal reclamação da nossa parte, ao mesmo tempo que tão altivamente falam, quando de nós exigem o cumprimento de tratados.

D. Pedro de Sousa Holstein, discurso parlamentar de 1841.

30/10/2017

Pelo verdadeiro Halloween


Apesar de hoje em dia se associar o Halloween a um fenómeno neo-pagão inventado nos EUA, a verdade é que o Halloween é uma festividade cristã. Halloween vem da contracção das palavras All Hallows Evening, que significa Vigília de Todos os Santos. Trata-se, portanto, de uma tradicional vigília de preparação para o Dia de Todos os Santos. Cabe por isso aos católicos celebrar o seu verdadeiro sentido.

26/10/2017

Contra a vã curiosidade


Não procures saber o que excede a tua capacidade, e não especules o que ultrapassa as tuas forças (intelectuais), mas pensa sempre no que Deus te mandou, e nas muitas obras Suas não sejas curioso. Porque não te é necessário ver com os teus olhos o que está escondido.
Não te apliques a esquadrinhar com ânsia as coisas supérfluas, e não indagues com curiosidade as diversas coisas de Deus. Porque muitas coisas te foram reveladas, que excedem a inteligência humana. A muitos enganou a falsa opinião que formavam delas, e as suas conjecturas sobre tais coisas conservaram-nos no erro.

Eclesiástico, III, 22 – 26

25/10/2017

Reconquista de Lisboa


A 25 de Outubro de 1147, e depois de três meses de cerco, os invasores mouros rendem-se e D. Afonso Henriques entra triunfal na cidade de Lisboa, agora reconquistada para a Cristandade.
A vitória é atribuída a São Jorge, pela promessa e devoção de D. Afonso Henriques, que rebaptizou o Castelo com o nome do mártir, que é também patrono de Portugal e das Cruzadas.

19/10/2017

Se é uma nova nacionalidade, é outra nacionalidade


A nacionalidade portuguesa não é matéria alterável, porque advém da própria essência de Portugal, que é imutável por definição.
Portugal, na boa acepção de Salazar, é "sobretudo uma entidade moral, que se formou através de séculos pelo trabalho e solidariedade de sucessivas gerações, ligadas por afinidades de sangue e de espírito". Daí que nascer em território português não seja condição suficiente para se Ser Português, da mesma forma que nascer num galinheiro não é condição suficiente para se ser uma galinha.
Já nas primitivas Cortes de Lamego essa ideia ficou bem explícita, quando se afirmou que os judeus e os mouros não são portugueses.
A República pode até inventar nacionalidades, mas não pode, porque não consegue, mudar a natureza e essência de Portugal.

16/10/2017

O Tradicionalismo tem que vir da Tradição (II)


Mas o que é a Tradição? Parece-me que, com frequência, a palavra é imperfeitamente compreendida: comparam-na às tradições como existem nas profissões, nas famílias, na vida civil: o bouquet colocado sobre o telhado quando se põe a última telha, o cordão que se corta para inaugurar um monumento, etc. Não é nada disto que eu falo; a Tradição não são os costumes legados pelo passado e conservados por fidelidade a este, mesmo na ausência de razões claras. A Tradição define-se como o depósito de fé transmitido pelo Magistério de século em século. Este depósito é aquele que nos deu a Revelação, isto é, a palavra de Deus confiada aos Apóstolos e cuja transmissão é assegurada pelos seus sucessores.

Mons. Marcel Lefebvre in «Carta Aberta aos Católicos Perplexos», 1984.

13/10/2017

Um testemunho insuspeito do Milagre do Sol


Quebrando um silêncio de mais de vinte anos, e com a invocação dos longínquos e saudosos tempos em que convivemos numa fraternal camaradagem, iluminada então pela fé comum e fortalecida por idênticos propósitos, escreves-me para que te diga, sincera e minuciosamente, o que vi e ouvi na charneca de Fátima, quando a fama de celestes aparições congregou naquele desolado ermo dezenas de milhares de pessoas, mais sedentas, segundo creio, de sobrenatural, do que impelidas por mera curiosidade ou receosas de um logro... Estão os católicos em desacordo sobre a importância e a significação do que presenciaram.
Uns convenceram-se de que se tinham cumprido prometimentos do Alto; outros acham-se ainda longe de acreditar na incontroversa realidade de um milagre. Foste um crente na tua juventude e deixaste de sê-lo. Pessoas da família arrastaram-te a Fátima, no vagalhão colossal daquele povo que ali se juntou a 13 de Outubro.
O teu racionalismo sofreu um formidável embate e queres estabelecer uma opinião segura socorrendo-te de depoimentos insuspeitos como o meu, pois que estive lá apenas no desempenho de uma missão bem difícil, tal a de relatar imparcialmente para um grande diário, "O Século", os factos que diante de mim se desenrolassem e tudo quanto de curioso e de elucidativo a eles se prendesse. Não ficará por satisfazer o teu desejo, mas decerto que os nossos olhos e os nossos ouvidos, não viram nem ouviram, coisas diversas, e que raros foram os que ficaram insensíveis à grandeza de semelhante espectáculo, único entre nós e de todo o ponto digno de meditação e de estudo...
O que ouvi e me levou a Fátima?
Que a Virgem Maria, depois da festa da Ascensão, aparecera a três crianças que apascentavam gado, duas mocinhas e um zagalete, recomendando-lhes que orassem e prometendo-lhes aparecer ali, sobre uma azinheira, no dia 13 de cada mês, até que em Outubro lhes daria um sinal do poder de Deus e faria revelações. Espalhou-se a nova por muitas léguas em redondeza; voou, de terra em terra, até aos confins de Portugal, e a romagem dos crentes foi aumentando de mês para mês, a ponto de se juntarem na charneca de Fátima, em 13 de Outubro, umas cinquenta mil pessoas, consoante os cálculos de indivíduos desapaixonados.
Nas precedentes reuniões de fiéis não faltou quem tivesse suposto ver singularidades astronómicas e atmosféricas, que se tomaram como indício de imediata intervenção divina.
Houve quem falasse de súbitos abaixamentos de temperatura, de cintilação de estrelas em pleno meio-dia e de nuvens lindas e jamais vistas em torno do Sol. Houve quem repetisse e propalasse comovidamente que a Senhora recomendava penitência, que pretendia a criação de uma capela naquele local, que em 13 de Outubro manifestaria, por intermédio de uma prova sensível a todos, a infinita bondade e a omnipotência de Deus.
Foi assim que, no dia célebre e tão ansiado, afluíram de perto e de longe a Fátima, arrostando com todos os embaraços e todas as durezas das viagens, milhares e milhares de pessoas, umas que palmilharam léguas ao sol e à chuva, outras que se transportaram em variadíssimos veículos, desde os quase pré-históricos até aos mais recentes e maravilhosos modelos de automóveis, e ainda muitíssimas que suportaram os incómodos das terceiras classes dos comboios, dentro dos quais, para percorrer hoje relativamente pequenas distâncias, se perdem longas horas e até dias e noites! Vi ranchos de homens e de mulheres, pacientemente, como enlevados num sonho, dirigirem-se de véspera para o sítio famoso, cantando hinos sacros e caminhando descalços ao ritmo deles e à recitação cadenciada do terço do Rosário, sem que os importunasse, os demovesse ou desesperasse, a mudança quase repentina do tempo, quando as bátegas de água transformaram as estradas poeirentas em fundos lamaçais, e às doçuras do Outono sucederem, por um dia, os aspérrimos rigores do Inverno. Vi a multidão, ora comprimida à volta da pequenina árvore do milagre e desbastando-a dos seus ramos para guardar como relíquias, ora espraiada pela vasta charneca que a estrada de Leiria atravessa e domina, e que a mais pitoresca e heterogénea concordância de carros e pessoas atravancou naquele dia memorável, aguardar na melhor ordem as manifestações sobrenaturais, sem temer que a invernia as prejudicasse, diminuindo-lhes o esplendor e a imponência... Vi que o desalento não invadiu as almas, que a confiança se conservou viva e ardente, a despeito das inesperadas contrariedades, que a compostura da multidão, em que superabundavam os campónios, foi perfeita e que as crianças, no seu entender privilegiadas, tiveram a acolhê-las as demonstrações do mais intenso carinho por parte daquele povo que ajoelhou, se descobriu e rezou a seu mandado, ao aproximar-se a hora do milagre, a hora do sinal sensível, a hora mística e suspirada do contacto entre o Céu e a Terra...
E, quando já não imaginava que via alguma coisa mais impressionante do que essa rumorosa mas pacífica multidão animada pela mesma obsessiva ideia e movida pelo mesmo poderoso anseio, que vi eu ainda de verdadeiramente estranho na charneca de Fátima? A chuva, à hora pré-anunciada, deixar de cair; a densa massa de nuvens romper-se e o astro-rei – disco de prata fosca – em pleno zénite aparecer e começar dançando num bailado violento e convulso, que grande número de pessoas imaginava ser uma dança serpentina, tão belas e rutilantes cores revestiu sucessivamente a superfície solar.
Milagre, como gritava o povo? Fenómeno natural, como dizem os cientistas? Não curo agora de sabê-lo, mas apenas de te afirmar o que vi... O resto é com a Ciência e com a Igreja...

Avelino de Almeida, agnóstico e jornalista de "O Século", Outubro de 1917.

11/10/2017

Soneto de Camões


Tu que, descanso buscas com cuidado,
Neste mar do mundo tempestuoso
Não esperes de achar nenhum repouso,
Senão em Cristo Jesus Crucificado.

Se por riquezas vives desvelado,
Em Deus está o tesouro mais precioso,
Se estás de formosura desejoso,
Se olhas este Senhor ficas namorado.

Se tu buscas deleites ou prazeres,
Nele está o dulçor dos dulçores,
Que a todos nos deleita com vitória.

Se porventura glória ou honra queres,
Que maior honra pode ser nem glória
Que servir ao Senhor Grande dos senhores?

Luís Vaz de Camões

10/10/2017

Os Lusitanos


Cumpre ter sempre presente que a Lusitânia é habitada pela mais poderosa das nações da Hispânia; e que, achando-se já subjugadas as outras, é esta a que se atreve ainda a deter as armas romanas.
Não provém a sua força do número dos seus habitantes, mas da sua resistência devida a um temperamento tenaz e incansável, a uma dignidade individual que antes prefere a morte a qualquer aparência de escravidão.

Caio Lélio, Cônsul Romano, 190 a.C.

07/10/2017

7 de Outubro: Nossa Senhora do Rosário


Neste ano do centenário das Aparições de Fátima, mais do que nunca é dever lembrar a Nossa Senhora do Rosário em Fátima:

"Eu sou a Senhora do Rosário..."

"Rezai o Terço todos os dias..."