21/03/2017

Fado: Cantiga da Boa Gente


Três palmos de terra, com uma casa à beira,
E o Manel mais eu para a vida inteira!
Ele e quatro filhos são tudo o que eu gosto,
Gente mais feliz não há neste mundo, aposto!

Vamos para o trabalho, logo ao clarear,
E de sol a sol, vá de moirejar,
Tenho a vida cheia, tenho a vida boa,
Que Deus sempre ajuda a quem é boa pessoa!

Quando chega a tarde, tarde tardezinha,
Já o jantar fumega na lareira da cozinha.
Os filhos sorriem, o Manel também,
Não há melhor vida que aquela que a gente tem!

Os sinos ao longe dão Ave-Marias,
Reza-se a oração de todos os dias.
Menino Jesus, meu botão de rosa,
Faz que a minha gente não seja má nem vaidosa!
Menino Jesus, boquinha de riso,
Faz que a minha gente seja gente de juízo!

Acabada a reza, vai-se para o jantar,
Se alguém bate à porta, também tem lugar,
Come do que há, tarde tardezinha,
Mesmo ali à beira da lareira da cozinha.
Os filhos sorriem, o Manel também,
Não há melhor vida que aquela que a gente tem!

Não invejo nada, nem quem tem dinheiro,
Pois para trabalhar tem-se o mundo inteiro.
Basta só fazer o que se é capaz.
Que a felicidade está naquilo que se faz.

E assim vou andando, na graça de Deus,
Em paz e amor com todos os meus,
Trabalho não falta, todo santo dia,
Mas o coração chega à noite, é uma alegria!

Quando chega a tarde, tarde tardezinha,
Já o jantar fumega na lareira da cozinha.
Os filhos sorriem, o Manel também,
Não há melhor vida que aquela que a gente tem!

Os sinos ao longe dão Ave-Marias,
Reza-se a oração de todos os dias.
Menino Jesus, meu botão de rosa,
Faz que a minha gente não seja má nem vaidosa!
Menino Jesus, boquinha de riso,
Faz que a minha gente seja gente de juízo!

Acabada a reza, vai-se para o jantar,
Se alguém bate à porta, também tem lugar,
Come do que há, tarde tardezinha,
Mesmo ali à beira da lareira da cozinha.
Os filhos sorriem, o Manel também,
Não há melhor vida que aquela que a gente tem!

17/03/2017

Da proibição do véu islâmico

Portuguesa

Alguns tolos na Direita rejubilam quando em França se proíbe o uso do véu islâmico. Julgam eles que essa é uma medida em prol das nacionalidades e da civilização europeia. Enganam-se. A República que proíbe o uso do véu islâmico é a mesma República que proíbe o uso de crucifixos. Por isso, tais medidas anti-véu não são feitas em favor das pátrias e da tradição católica da Europa. São feitas em favor da república, do laicismo, da maçonaria, e visam neutralizar o "extremismo" para favorecer um "moderantismo" bastardo e aglutinador.
Lembrem-se, direitistas, que o uso de véu ou de lenço na cabeça, não é algo anti-europeu. Pelo contrário, se observarem como vestiam os nossos antepassados, concluirão que as modas modernas é que são anti-europeias.

16/03/2017

As "Luzes" que escureceram


Respeito tanto as luzes do século no que toca aos conhecimentos físicos, quanto as abomino pelo que pertence à Religião e ao Governo. Neste sentido são elas mesmas a própria revolução pura, e sem máscara, que na sua marcha, umas vezes rápida, outras vezes lenta, mas sempre progressiva, vai destruindo tudo o que encontra. O grande número dos chefes é funesto, dizia Ulisses aos Gregos na Ilíada, não tenhamos senão um chefe, senão um Rei, aquele a quem o prudente filho de Saturno confia o ceptro, e as leis para nos governar a todos. Esta máxima, que se lê no mais antigo dos livros profanos bem conhecidos, ao menos cá dos da Europa, é a mesma dos Provérbios de Salomão: Por mim governam os Reis. Vede como já era conhecida naqueles tempos primitivos, e como a respeito dela estavam de acordo os Escritores sagrados e os profanos: hoje é perseguida, porque as luzes do século a condenam; mas onde irão parar os homens com estas luzes do século, que tanto os tem feito retrogradar nas ideias religiosas e políticas.

José Acúrsio das Neves in «Cartas de um Português aos seus Concidadãos», 1822.

08/03/2017

A mulher, o trabalho e a família


Quem diz família diz lar; quem diz lar diz atmosfera moral e economia própria – economia mista de consumo e de produção. O trabalho da mulher fora do lar desagrega este, separa os membros da família, torna-os estranhos uns aos outros. Desaparece a vida em comum, sofre a obra educativa das crianças, diminui o número destas; e com o mau ou impossível funcionamento da economia doméstica, no arranjo da casa, no preparo da alimentação e do vestuário, verifica-se uma perda importante, raro materialmente compensada pelo salário recebido. Por vezes perde-se de vista a importância dos factores morais no rendimento do trabalho. O excesso da mecânica que aproveita o braço leva a desinteressar-se da disposição interior. Em todo o caso continua exacto ainda hoje, na maior parte da produção, que a alegria, a boa disposição, a felicidade de viver, constituem energias que elevam a qualidade e a quantidade do trabalho produzido. A família é a mais pura fonte dos factores morais da produção.

António de Oliveira Salazar, discurso de 16 de Março de 1933.

07/03/2017

Verdades que o cristão deve recordar diariamente


VERDADES DE QUE O CRISTÃO SE DEVE RECORDAR TODAS AS MANHÃS

Cristão, lembra-te que tens hoje:
Deus a glorificar,
Jesus a imitar,
A Santíssima Virgem a invocar,
Os Santos a imitar,
Os Santos Anjos a honrar,
Uma alma a salvar,
Um corpo a mortificar,
Virtudes a pedir e praticar,
Pecados a expiar,
Um paraíso a ganhar,
Um inferno a evitar,
Uma eternidade a meditar,
Tempo a aproveitar,
Próximo a edificar,
Um mundo a temer,
Demónios a combater,
Paixões a subjugar,
Talvez a morte a sofrer,
E o juízo a suportar!

OH! ETERNIDADE!

Retirado de «Manual de Orações», aprovado pelo Arcebispo de Porto Alegre, 10 de Novembro de 1926.

04/03/2017

O esquerdismo e a paranóia


Tal como existe um complexo de culpa na Nova Esquerda, também existe uma frequência de delírios paranóicos. Este tipo de comportamento, muito comum entre os chamados "activistas sociais", tende à criação de males imaginários e agressões imaginárias.

PARANÓIA – substantivo feminino (do grego paranóia, loucura). 1. Psicose crónica caracterizada pela organização lógica de temas delirantes. 2. Comportamento de pessoa, ou grupo, com tendência a crer-se perseguida ou agredida. Enciclopédia. A personalidade paranóide é uma anomalia psíquica que se traduz por comportamentos delirantes e compreende a supervalorização de si próprio, a desconfiança sistemática, a rigidez mental, o raciocínio correcto mas baseado num ponto de partida falso. O delírio paranóide (ou psicose paranóide, ou paranóia) surge num doente que tinha anteriormente personalidade paranóide. O delírio é uma ideia falsa, anormal e obsessiva que arrasta consigo a convicção do paciente e que este não é capaz de criticar (visão acrítica). O indivíduo interpreta erradamente as informações ou tem intuições falsas, o que leva a acreditar-se perseguido. Pode também experimentar uma paixão devoradora ou reivindicar de modo exagerado (fanatismo, processos judiciais).
Adaptado de «Nova Enciclopédia Larousse».

Recentemente, o fadista João Braga foi alvo do delírio paranóide de activistas "anti-racistas" e "anti-homofóbicos". Porém, olhando objectivamente, o que o fadista disse não constitui insulto a ninguém. João Braga apenas fez um comentário banal acerca da hegemonia do marxismo cultural em Hollywood, que premeia os filmes, não pela sua qualidade, mas pelo seu carácter propagandístico. Ora, esta crítica só incomoda, ou quem está comprometido, ou quem está intelectualmente formatado e fanatizado pelo sistema educativo e mediático.
Por outro lado, os ataques de que o fadista foi vítima, e que eu testemunhei pessoalmente, são espelho daquela opinião de Louis Veuillot: Não há ninguém mais sectário do que um liberal. De facto, o paradoxo dos "tolerantes" é que eles só toleram as suas próprias opiniões e ideias. Quem pensa diferente é ameaçado, ofendido e socialmente ostracizado. Ou em linguagem "tolerante": é vítima de bullying. Ser "tolerante" torna-se assim também sinónimo de ser hipócrita.

01/03/2017

Quarta-feira de Cinzas


Lembra-te ó homem que és pó, e que em pó te hás-de tornar. (Génesis 3, 19)

É certíssimo que todos devemos morrer, mas não sabemos quando. "Nada há mais certo do que a morte – diz Idiota – porém nada mais incerto do que a hora da morte".
Meu irmão, estão fixados ano, mês, dia, hora e momento em que terás que deixar este mundo e entrar na eternidade; porém nós o ignoramos. Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de estarmos sempre bem preparados, disse que a morte virá como um ladrão, oculto e de noite (I Tessalonicenses 5, 2). Outras vezes exortou a que estejamos vigilantes, porque, quando menos esperarmos, virá Ele a julgar-nos (Lucas 12, 40). Disse São Gregório que Deus nos oculta, para nosso bem, a hora da morte, a fim de que estejamos sempre preparados para morrer. Disse São Bernardo: A morte pode levar-nos em qualquer momento e em qualquer lugar; por isso, se queremos morrer bem e salvar-nos, é preciso que a estejamos à espera em qualquer tempo ou lugar.
Ninguém ignora que deve morrer; mas o mal está em que muitos vêem a morte a tamanha distância que a perdem de vista. Mesmo os anciãos mais decrépitos e as pessoas mais enfermas não deixam de alimentar a ilusão de que hão-de viver mais três ou quatro anos. Eu, porém, digo o contrário: Devemos considerar quantas mortes repentinas vemos em nossos dias. Uns morrem caminhando, outros sentados, outros dormindo em seu leito. É certo que nenhum deles julgava morrer tão subitamente, no dia em que morreu. Afirmo, ademais, que de quantos no decorrer deste ano morreram na sua própria cama, e não de repente, nenhum deles imaginava que devia acabar sua vida neste ano. São poucas as mortes que não chegam inesperadas.
Assim, pois, cristão, quando o demónio te provoca a pecar, sob o pretexto de que amanhã te confessarás, diz-lhe: Quem sabe se não será hoje o último dia da minha vida? Se esta hora, se este momento, em que me apartasse de Deus, fosse o último para mim, de modo que já não restasse tempo para reparar a falta, que seria de mim na eternidade? Quantos pobres pecadores tiveram a infelicidade de ser surpreendidos pela morte ao recrearem-se com manjares intoxicados e foram precipitados no inferno? "Assim como os peixes caem no anzol, assim são colhidos os homens pela morte num momento mau" (Eclesiastes 9, 12). O momento mau é exactamente aquele em que o pecador ofende a Deus.
Diz o demónio que tal desgraça não nos há-de suceder; mas é preciso responder-lhe: E se suceder, que será de mim por toda a eternidade?

Santo Afonso Maria de Ligório in «Preparação para a Morte».

E se o justo a custo se salva, o que virá a ser do ímpio e do pecador? (I Pedro 4,18)

27/02/2017

Entrudo Português

Numa época em que Portugal se vê invadido por carnavais brasileiros, vale a pena recordar o nosso Entrudo, através de uma bela música tradicional da Beira Baixa:


Entrudo vem do latim introitu, que quer dizer entrada. O Entrudo corresponde assim aos três dias de entrada ou que precedem a Quaresma. Como sinónimo de Entrudo existe também a palavra Carnaval, que é de origem mais recente, provindo do italiano Carnevale, e referindo-se às carnes especialmente consumidas nos dias de Entrudo. Por esse motivo, em Portugal é comum chamar-se Terça-Feira Gorda ao dia de Carnaval.

25/02/2017

O esquerdismo e o complexo de culpa


O norueguês da notícia, que foi violado por um migrante somali, é membro do Partido de Esquerda Socialista, assumindo-se ainda como feminista e anti-racista.

CULPABILIDADE. Estado daquele que cometeu uma falta. A par da culpa real e objectiva que consiste na violação grave de uma regra, encontra-se em numerosos indivíduos um sentimento, mais ou menos claro, de falta subjectiva, que se exprime no comportamento ou suscita na pessoa uma angústia de perseguição, devida a um crime imaginário. Quando esse sentimento de culpa se torna intenso, poderá desencadear uma situação de neurose [doença mental] ou mesmo de psicose [doença mental com perda de noção do real]. Certos delirantes, auto-acusam-se de todos os males do mundo, vivem num estado de culpabilidade dolorosa e procuram punir-se a si próprios, mutilar-se, ou até mesmo matar-se. Segundo alguns psicólogos, na base de qualquer psicose existe uma culpabilidade irreal que o doente tenta desesperadamente anular, porque constitui uma terrível ameaça para a sua auto-estima.
Adaptado de «Dicionário de Psicologia Larousse».

Ora muitas das ideologias modernas, sobretudo da chamada Nova Esquerda, que preconizam, entre outras coisas, "a culpa da Europa e do Homem Branco", têm por base enfermidades mentais. Sendo que muitos destes enfermos oscilam entre comportamentos extremos, desde sentir-se culpado de tudo a desculpar tudo nos outros. Mas o que é mais preocupante, é que se deixou de tratar estes casos como patológicos e se passou a aceitá-los como meras opiniões políticas. Um caso bem conhecido é o do psicanalista Wilhelm Reich, que chegou a estar internado num manicómio, mas cujo papel de ideólogo freudo-marxista está na origem da chamada Revolução Sexual.

22/02/2017

A desigualdade natural é um bem


A desigualdade é raiz de mal social? Pelo contrário, a Igreja sempre ensinou que a desigualdade natural é um bem e fonte de justiça. O Magistério da Igreja condena as doutrinas igualitárias e socializantes. Eis um exemplo:
Deve-se advertir que erram de modo vergonhoso aqueles que opinam levianamente serem iguais, na sociedade civil, os direitos de todos os cidadãos, e não existir uma hierarquia social legítima. 
Papa Pio XI in encíclica «Divini Redemptoris», 1937.

17/02/2017

Salazar devia ter restaurado a Monarquia?

Enquanto visitava um grupo pseudo-tradicionalista no facebook, deparei-me com a seguinte imagem:


Este tipo de crítica a Salazar é muito típica de monárquicos liberais, amantes de um monarquismo meramente de fachada. No entanto, a resposta à crítica já foi dada em 1949:

Consequentemente, a Realeza a restaurar não é a Realeza liberal, constitucional, democrática, parlamentar, que aí tivemos a abrir a catástrofe de 1910 – mas a outra, a Realeza que vem de 1128 a 1820, a quem se deve a formação, a consolidação, o prestígio de Portugal; a quem se devem os fundamentos sobre que repousa a Nacionalidade; a quem se devem as fronteiras portuguesas, no continente europeu e no Ultramar. A Realeza postiça de 1834 a 1910, devemos a República, que foi a consequência lógica das lutas partidárias que a Realeza de então não podia evitar, porque ela própria saíra duma luta partidária vitoriosa; que ela não podia condenar, porque era da sua essência reconhecê-las; que ela não podia dominar, porque fôra ela quem as desencadeara. Já não sei se há monárquicos em Portugal capazes de um movimento transcendente, como este que preconizo – tão afastado vivo de todos e de tudo – desde o Rei até à mais rudimentar organização da chamada Causa Monárquica. Fiel aos princípios, cada vez mais integrado neles, vivo distante dos homens que têm a fama de os representar, por incompreensão mútua: nem eles me entendem, nem eu os entendo a eles. A hora é dos videirinhos e dos trafulhas, e eu limito-me a assistir, de longe, como de longe das roletas do Estoril ou das celas do Limoeiro, à acção e ao triunfo admirável de uns e de outros. Eu sou o irrequieto, porque não me conformo com que se ponham no mesmo plano, homens honestos e homens desonrados, aventureiros e homens sérios; eu sou o conflituoso, porque digo que um gato é um gato, e um coelho é um coelho; eu sou réprobo, porque me caracterizam estas duas qualidades, que pelos vistos são defeitos, e se traduzem pela expressão adoptada por um alto espírito português: a independência dos meus juízos, e a firmeza das minhas convicções. Por tudo isto, vivo distante, em isolamento que progride, porque não dou um passo, nem esboço um gesto para conter ou limitar. E assim não sei se há monárquicos em Portugal capazes de dar à doutrina monárquica a forma que ela requer, e a força que ela solicita, para poder emergir dos escombros em que a Vitória das Democracias a sepultou. Monárquicos, é claro, que não tragam à frente, como o judeu das tâmaras, o balcão dos negócios; monárquicos que não sejam comerciantes e traficantes, e não façam da doutrina monárquica moeda de compra e venda.
Se os há, bom seria que alguém os juntasse, e os animasse à obra que tudo indica como indispensável.
Se os não há... Nem por isso me demitirei de dizer o que é necessário realizar.

Alfredo Pimenta in «Três Verdades Vencidas: Deus-Pátria-Rei», 1949.

16/02/2017

A Ética Global e a Nova Ordem Mundial


No Parlamento das Religiões do Mundo, em 1993, Hans Küng, a quem a Santa Sé proibiu o ensino de teologia católica, apresentou o projecto da Ética Planetária com o prévio aval da UNESCO, do Fórum Económico Mundial de Davos e do World Wide Fund for Nature (WWF). A primeira edição da nova ética de Küng foi prefaciada pelo Príncipe Philip de Edimburgo [marido de Isabel II], na época presidente da WWF. Hans Küng tornou-se assim uma das cabeças visíveis do processo para impor esta nova ética cósmica, enunciada no estilo da maçonaria, composta de uma mistura de gnose, expressões de bons desejos e da vaga e alienante espiritualidade new age. A Ética Planetária é uma boa resposta ao projecto da UNESCO de ética universal de valores relativos. O próprio Küng a define como "uma síntese de superação de todas as religiões do mundo".
O projecto de Küng foi aprovado pelo Parlamento das Religiões como "um consenso mínimo sobre os valores fundamentais de carácter vinculante, de normas irrevogáveis e de atitudes morais fundamentais".
O conteúdo da Ética Planetária está cheio de ambiguidades, e nele se acentuam palavras que os próprios autores se encarregaram de esvaziar de conteúdo, de modo que cada indivíduo possa interpretá-las à sua maneira, segundo a sua tradição cultural ou de acordo com os seus interesses. É um legado contra o "fanatismo e a intolerância, em favor da tolerância universal", que não se realiza em nenhum princípio, porque, de acordo com o próprio Küng, os princípios devem ser elaborados num consenso posterior, pouco ou nada tendo de padrão irrevogável.
Tal como a Carta da Terra, este projecto ignora a existência de Deus e, naturalmente, a Sua transcendência em relação à Criação. Nem mesmo a existência da alma humana como uma entidade separada, fica clara. Como resultado, exclui a existência da verdade absoluta, impondo à humanidade um processo sem fim de procura de consensos sobre princípios morais, que permanecerão até que aqueles perdurem para, em seguida, em virtude de novos consensos, serem mudados, substituídos. Como é facilmente dedutível, neste processo sem fim está incluído o consenso sobre a vida e a morte, relativizando o valor e o respeito pela vida humana desde a concepção até à morte natural.
As atitudes morais fundamentais são reduzidas a palavras sem significado claro: paz, justiça, equidade, dignidade, compaixão, tolerância, solidariedade, diálogo, respeito à pluralidade e outras, as quais são ambíguas em si mesmas, como o termo "crentes", que abrange todos os seres humanos que acreditam em algo ou alguém, o que, na linguagem da ética global, equivaleria a uma espécie de sincretismo universal.
No primeiro capítulo, Küng diz: "Estes princípios são baseados na suposição de que a Nova Ordem Mundial não pode sobreviver sem uma ética global". Ou seja, sem alguns princípios éticos novos a serviço do projecto político de dominação. É a "religião" ao serviço do poder. Os elogios do presidente do Directório do Fundo Monetário Internacional, em relação a Küng, o confirmam.
Aparentemente, a Ética Planetária encontra um público favorável no mundo das finanças internacionais e a Carta da Terra no campo internacional socialista. Mas esta é apenas uma impressão, pois os nomes de Hans Küng e Leonardo Boff, e outros, aparecem nas mesmas redes e nos mesmos fóruns. Na verdade, ambos os projectos têm as mesmas intenções: a subversão da ordem natural e a destruição das raízes cristãs da cultura através do relativismo moral e do igualitarismo religioso. É o homem que constrói o seu código ético em guerra aberta contra Deus – o antigo projecto das lojas maçónicas.
A Carta da Terra e a Ética Planetária não são projectos que concorrem entre si; são, na verdade, alternativos ou complementares. Têm o mesmo objectivo: a demolição da Igreja Católica e a construção de outra igreja, uma caricatura ao serviço da Nova Ordem Mundial.

Pe. Juan Claudio Sanahuja in «Poder Global e Religião Universal», 2010.

§

10/02/2017

O pior inimigo é o interno


Uma nação pode sobreviver aos seus loucos, mesmo aos ambiciosos. Mas não consegue sobreviver à traição vinda de dentro. Um inimigo às portas é menos formidável, pois ele é conhecido e transporta a sua bandeira à vista. Mas o traidor movimenta-se livremente entre aqueles que estão dentro de portas, o seu murmúrio malicioso percorre todas as ruelas e é ouvido nos corredores do governo, ele próprio. Pois o traidor não aparenta ser traidor; ele fala de um modo familiar às suas vítimas, e desgasta a sua face e os seus argumentos; ele apela à vileza que mora fundo no coração de todos os homens. Ele apodrece a alma de uma nação; ele trabalha secretamente e oculto na noite, a fim de minar os pilares da cidade, ele infecta o corpo político a fim de que este não mais possa resistir. Um assassino é menos de temer.


§

Relembro ainda: A decadência interna.

09/02/2017

Afinal, eles coincidem!


Em 1830, José Liberato Freire de Carvalho publicou o livro "Ensaio histórico-político sobre a Constituição e Governo do Reino de Portugal; onde se mostra ser aquele Reino, desde a sua origem, uma monarquia representativa, e que o absolutismo, a superstição, e a influência da Inglaterra, são as causas da sua actual decadência". É estranho que neste título coincida aquela opinião de alguns tradicionalistas espanhóis (e alguns portugueses enganados) a respeito de Portugal. Que estranha coincidência! Mas quem é este autor? Este "santo" foi um frade de Santa Cruz de Coimbra, depois jornalista, depois político, depois deputado e maçon! Era da causa liberal.